Navegando por Autor "Ary Cardoso Peixoto Junior"
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- ItemTratamentos farmacológicos e não farmacológicos para a síndrome da ardência bucal: uma revisão integrativa da literatura com foco em mecanismos neurofisiológicos.(Universidade Federal do Oeste da Bahia, 2025) Ary Cardoso Peixoto Junior; Julianna Joanna Carvalho Moraes de Campos BaldinResumo : A Síndrome da Ardência Bucal (SAB) é uma condição de dor crônica complexa, caracterizada por dor persistente na mucosa oral sem alterações clínicas visíveis, sendo frequentemente classificada como uma neuropatia de fibras finas. Apesar dos avanços na compreensão de sua base neurofisiológica, o manejo clínico ainda permanece predominantemente empírico e com eficácia variável. O objetivo desta revisão integrativa foi mapear e sintetizar o conhecimento sobre as abordagens terapêuticas farmacológicas e não farmacológicas para a SAB, correlacionando os desfechos clínicos observados com os mecanismos de ação neurofisiológicos propostos. Foram pesquisadas as bases PubMed, Scopus, Web of Science, Cochrane Library e BVS (2014–2024), resultando em oito estudos elegíveis, sendo seis ensaios clínicos randomizados (ECRs). As intervenções farmacológicas de ação central mostraram resultados consistentes, com melhora clínica associada a moduladores serotoninérgicos e noradrenérgicos, como fluoxetina e vortioxetina, e efeito adjuvante da melatonina, por sua ação antioxidante e neuromoduladora. Entre as terapias não farmacológicas, a fotobiomodulação (FBM) destacou-se por reduzir a dor e os biomarcadores inflamatórios salivares. Além disso, a acupuntura demonstrou eficácia clínica, e a estimulação sensorial mastigatória mostrou potencial para modular o sistema nervoso autônomo (SNA), reduzindo catecolaminas plasmáticas. Apenas 37,5% (n=3) dos estudos avaliaram biomarcadores, reforçando a escassez de dados objetivos sobre mecanismos. Apesar de promissores, esses achados apresentam limitada robustez. A análise metodológica (RoB 2, NOS) apontou alto risco de viés em 75% dos ECRs, e a avaliação da certeza da evidência (GRADE) classificou a maioria das intervenções como de baixa ou muito baixa certeza. Em síntese, as intervenções mais promissoras, com destaque para os antidepressivos e a fotobiomodulação, sustentam a hipótese da SAB como uma dor neuropática mantida por mecanismos centrais. Contudo, a baixa certeza da evidência e o alto risco de viés identificados (RoB 2/GRADE) limitam a aplicabilidade clínica desses achados e apontam, imperativamente, a necessidade de estudos futuros com maior rigor metodológico, padronização de critérios diagnósticos (ICOP) e de desfechos (IMMPACT), e validação de biomarcadores para o avanço do tratamento personalizado.