Navegando por Autor "Caline de Almeida Barbosa"
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- ItemPerfil clínico e epidemiológico de pacientes com reações hansênicas em um Centro de Referência do Oeste Baiano(Universidade Federal do Oeste da Bahia, 2021) Caline de Almeida Barbosa; Carolina Carvalho de Souza; Marcos Pereira SantosResumo : As reações hansênicas são complicações inflamatórias agudas ou subagudas, que afetam uma parcela significativa de pessoas durante o curso da hanseníase, devido à acentuação da resposta imune do organismo aos antígenos do Mycobacterium leprae. Subdividem-se, principalmente, em Reação Tipo I (Reação Reversa) e Reação Tipo II (Eritema Nodoso Hansênico) e são causas relevantes de acometimento neurológico e incapacidades físicas. Nesse contexto, o objetivo desta pesquisa é caracterizar o perfil clínico e epidemiológico de pacientes com reações hansênicas, assistidos no Programa de Hanseníase do Centro de Saúde Leonídia Ayres de Almeida, em Barreiras-BA, durante o período de 2014-2020. Trata-se de um estudo transversal, descritivo e de abordagem quantitativa. A coleta de dados foi realizada através de prontuários e fichas de notificação de 130 pacientes que desenvolveram reações hansênicas. A análise descritiva ocorreu através dos programas computacionais STATA (versão 9.0) e Microsoft Office Excel (2010). Como resultados principais, constataram-se que 60,77% dos pacientes desenvolveram Reação Tipo I e 39,23% tiveram Reação Tipo II. No geral, a maioria dos pacientes era do sexo masculino (66,15%), parda (88,1%), com faixa etária entre 30 e 59 anos (58,46%) e com baixa escolaridade (61,74%). A classificação operacional multibacilar foi predominante (70%). As reações hansênicas ocorreram principalmente durante e após a poliquimioterapia. A maioria teve Grau 0 de incapacidade física no diagnóstico da hanseníase (66,86%), mas faltaram informações para inferir o real comprometimento neurológico dos pacientes. Nos nervos periféricos, durante os episódios reacionais, destacaram-se a dor ou hipersensibilidade (83,9%). Especificamente, no grupo com Reação Tipo I, prevaleceram a forma clínica dimorfa (44,16%), dez ou menos lesões cutâneas no diagnóstico da hanseníase (70,51%), menos de três segmentos corporais afetados (57,38%), baciloscopia inicial negativa (82,89%), com menos de cinco episódios reacionais (81,01%) e a neurite como principal acometimento sistêmico. Na Reação Tipo II, predominaram a forma virchowiana (70,59%), mais de dez lesões no diagnóstico da hanseníase (66%), mais de três segmentos corporais afetados (75,51%), baciloscopia inicial positiva (78,43%), com cinco ou mais episódios reacionais (62,75%) e com acometimento sistêmico mais significativo (92,16%), com destaque para a neurite, mialgia, febre e artralgia. Através desses achados, foi possível obter informações sobre os dois tipos principais de reações hansênicas, de modo a direcionar a vigilância em saúde para ambos os grupos. Na Reação Tipo I, a atenção deve ser voltada sobretudo por ser mais frequente e devido aos quadros de neurite, que podem desencadear incapacidades físicas. A Reação Tipo II, embora seja menos frequente, também merece atenção, pois foi observada maior severidade clínica nesse grupo, devido a outras manifestações sistêmicas além da neurite, maior quantidade de lesões cutâneas no diagnóstico da hanseníase, mais segmentos corporais afetados, maior número de episódios reacionais, forma clínica mais grave da hanseníase (virchowiana) e baciloscopia inicial positiva. Portanto, a compreensão das características clínicas e epidemiológicas é imprescindível para o diagnóstico precoce e manejo dos estados reacionais hansênicos, a fim de possibilitar, principalmente, a prevenção de sequelas e incapacidades físicas e neurológicas.