Navegando por Autor "Hudson Manoel Nogueira Campos"
Agora exibindo 1 - 1 de 1
Resultados por página
Opções de Ordenação
- ItemUso de medicamentos por gestantes atendidas pela estratégia saúde da família: prevalência e fatores associados(Universidade Federal do Oeste da Bahia, 2021) Hudson Manoel Nogueira Campos; Mússio Pirajá Mattos (In Memoriam); Daiene Rosa GomesResumo : Devido a uma cultura medicalizadora, o medicamento é visto como a única opção de cura para as gestantes. A utilização de medicamentos durante a gestação pode expor o feto a consequências negativas. O cenário desse uso por gestantes vem se revelando uma prática cada vez mais crescente e comum apesar de que o conhecimento sobre a segurança de medicamentos na gestação esteja limitado a poucas evidências científicas. Desse modo, estudos observacionais contribuem para iluminar aspectos na assistência materna e infantil. Diante disso, o presente estudo objetiva avaliar o uso de medicamentos, a exposição a potenciais riscos e os fatores associados antes e durante a gestação pelas gestantes atendidas pela Estratégia Saúde da Família no município de Barreiras, Bahia. Trata-se de um estudo transversal aninhado a uma coorte prospectiva com gestantes que realizaram o pré-natal na Estratégia Saúde da Família no município de Barreiras, Bahia. Foram coletadas informações sobre variáveis socioeconômicas e maternas e dados da gestação, como o uso de medicamentos autorreferidos. Posteriormente, os medicamentos foram classificados consoante os níveis da Anatomical Therapeutic Chemical Classification System, os seus potenciais riscos pela Food and Drug Administration e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Foi realizada a análise da prevalência de utilização de medicamentos antes e durante a gestação e seus fatores associados considerando intervalo de confiança de 95% e nível de significância de 5% por meio da regressão de Poisson com variância robusta. Foram incluídas no estudo 337 gestantes, sendo o uso de medicamentos antes e durante a gestação relatado por, respectivamente, 35% e 80%. A classe dos medicamentos mais prevalentes antes da gestação foram os analgésicos, a dipirona se destacando como o mais frequente. Durante a gravidez, houve uma maior prevalência de gestantes que utilizaram medicamentos para o sangue e órgãos hematopoiéticos (64,4%). A maioria dos medicamentos utilizados antes da gestação possuíam classificação de risco C (42%) e considerados contraindicados na gestação (58%). Durante a gestação, 76% apresentavam categoria A e 73% eram de uso indicado. Através da determinação dos fatores associados, foi evidenciado a renda familiar (=1 salário mínimo; RP:1,62; IC: 1,02-2,55) como fator associado ao uso anterior à gestação; e a existência de problemas de saúde (RP: 2,32; IC: 1,27-4,22) e de queixas na gestação (RP: 2,39; IC: 1,28-4,47) tiveram associação para o uso durante. Diante disso, o consumo de medicamentos evidenciou que ações do planejamento familiar reduzem a exposição dos potenciais riscos da utilização de algumas substâncias nocivas ao momento da concepção e hábitos perigosos nas primeiras semanas gestacionais. Baseado nos fatores associados, o estudo sugere uma maior cooperação multiprofissional para a utilização de tecnologias leves para intercorrências na gestação e minimização dos riscos.