PPGCHS - Programa de Pós-graduação em Ciências Humanas e Sociais
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- ItemInterfaces da Psicologia com as Políticas Públicas no Território Chapada das Mangabeiras(Universidade Federal do Oeste da Bahia, 2021) Aline Rocha Bezerra; Tânia Aparecida KuhnenEste estudo teve como objetivo analisar, a partir da perspectiva arquegenealógica, como as psicólogas, que atuam nas políticas públicas do Território Chapada das Mangabeiras, vivenciam o cotidiano de suas práticas. Observa-se uma grande expectativa por parte das pessoas atendidas, das famílias e dos outros profissionais, de que a psicóloga “sane o problema da saúde mental”, ao mesmo tempo que há um grande hiato entre o que diziam as correntes psicológicas (em sua maioria europeias e estadunidenses) e o que encontramos na realidade rural do Nordeste. Buscou-se, assim, fornecer subsídios às profissionais que atuam no campo das políticas públicas, em especial às que trabalham no território estudado, possibilitando reflexões sobre os elementos que direcionam suas práticas, desacomodando-as, através de questionamentos sobre o modelo de ciência no qual a Psicologia está amparada e suas formas de operar sobre a vida das populações e dos sujeitos. Foram utilizados como base teórica os estudos: da Psicologia Social Crítica; de Michel Foucault e de seus comentadores; sobre saúde mental, sob a perspectiva da atenção psicossocial; interseccionais (gênero, raça, classe); póscoloniais; decoloniais; e anticoloniais. Partindo da pesquisa-intervenção como modalidade de pesquisa, as abordagens metodológicas utilizadas foram a arquegenealogia e a cartografia. Ao longo do estudo foi possível refletir como o Estado, na modernidade, coloca em funcionamento uma série de dispositivos que buscam alcançar o objetivo de gerenciar a vida da população e do indivíduo e como esses dispositivos se atualizam na contemporaneidade neoliberal. Reconhecendo a particularidade histórica da violência praticada no empreendimento colonial, problematizou-se a história das relações de poder no contexto brasileiro, discutindo, em especial, as questões do racismo e da opressão de gênero e como toda essa conjuntura influencia a efetividade das políticas, cujo ideal é a garantia de direitos civis, políticos, sociais, econômicos e culturais aos cidadãos brasileiros. Nesse contexto, a função de psicólogos/as enquanto trabalhadores/as sociais chamados/as a atuar nas políticas públicas também precisa ser problematizada, tendo em vista que na Modernidade, a Psicologia constrói uma dimensão da vida que é exclusivamente interior, individualizada, que pode levar a atuações reducionistas, tendenciosas. Além disso, buscou-se investigar as condições macro e micropolíticas que perpassam as práticas das psicólogas no Território Chapada das Mangabeiras: a história da formação da região Nordeste e do território do Piauí, que permite entender melhor os reflexos da colonialidade enfrentada hoje e as especificidades do fazer do/a psicólogo/a no contexto rural. A pesquisa de campo foi dividida em três mo(vi)mentos: aplicação de questionário, entrevista e grupo focal. As psicólogas relataram que as principais atividades realizadas são os atendimentos individuais, em uma lógica ambulatorial. Como dificuldades citaram: a precarização do trabalho, com baixos salários, contratos por tempo determinados e ausência de políticas de qualificação; dificuldade na relação com os/as usuários/as dos serviços por conta do estigma de que “a Psicologia é para loucos”; resistência na participação de trabalhos em grupo, por não quererem compartilhar suas questões com pessoas da comunidade, entre outros desafios. Também foram discutidas as mudanças que a pandemia impôs ao trabalho, os impactos emocionais gerados pelo contato cotidiano com as violências sofridas pela população atendida, a formação para lidar com as problemáticas que chegam e as possibilidades de mudança na organização do trabalho. Conclui-se que a instalação de políticas públicas neste local diminuiu barreiras geográficas e possibilitou uma maior proximidade com as questões do território. No entanto, a alta rotatividade entre as profissionais, as precárias condições de trabalho e os problemas relacionados à formação fazem com que o trabalho nesse contexto muitas vezes não dê conta da complexidade e das iniquidades desse espaço. É necessária a construção de métodos e técnicas de trabalho que fujam da lógica individualizante e patologizante, para que se possa contribuir para um projeto de sociedade respeitosa, igualitária e inclusiva.
- ItemIdentidade e experiências de fé : a romaria do Senhor dos Aflitos em Barreiras - Bahia(Universidade Federal do Oeste da Bahia, 2023) Edna Santos Pinto; Pablo Antonio Iglesias MagalhãesA presente pesquisa propõe um dialogo sobre as identidades e as experiências de fé popular como parte integradora da cultura religiosa do povo barreirense, tendo como objeto de análise o Cantinho do Senhor dos Aflitos, localizado a 18 km da cidade de Barreiras. A visibilidade religiosa é marcante em diferentes cidades do Oeste baiano, com elementos demarcados em seu processo de formação histórica. Dessa forma, a região é um campo vasto para se investigar o fenômeno religioso a partir dos ritos dos caminhantes da fé, sabendo que as romarias, peregrinações, promessas e procissões compõem a cultura e religiosidade popular. Este estudo propõe compreender essa formação da identidade cultural e religiosa de romeiros, onde o sagrado é buscado no próprio caminho a ser percorrido por cada peregrino rumo ao Santuário do Senhor dos Aflitos, adquirindo forma em um espaço sacralizado. Para alcançar tais objetivos, abordamos conceitos relativos à memória, religião, identidade, cultura e história local. Foram utilizadas algumas abordagens metodológicas de natureza qualitativa, revisão de literatura, bibliográfica, pesquisa de campo e análise documental, A partir dos estudos foi possível perceber que a relação de identidade, memória e religiosidade se mantem presente na romaria do Cantinho do Senhor dos Aflitos e continua sendo passada de geração em geração.
- ItemAs movimentações de mulheres negras nas redes: dores e afetos conectadas no virtual(Universidade Federal do Oeste da Bahia, 2024) Danielle Lima Almeida; Carlos Henrique de LucasO uso das redes sociais expandiu-se consideravelmente nos últimos anos. Neste trabalho de dissertação de mestrado no Programa de Pós-graduação em Ciências Humanas e Sociais (PPGCHS/UFOB), analiso as redes sociais como um meio de educação não formal e como potencializadoras das identidades de meninas e mulheres negras. A partir de uma abordagem teórica que envolve conceitos fundamentais como educação formal, educação não formal, interseccionalidades, netnografia e dororidade, o trabalho discute a relevância política da escrita, inspirando-se em autoras do pensamento feminista negro, como Audre Lorde, Conceição Evaristo e bell hooks. Em diálogo com as ideias de Deleuze e Guattari, o conceito de "Ponto de Vida" é desenvolvido como um eco das vozes de mulheres negras, em resistência aos sistemas de poder, à necropolítica e à desautorização de sua intelectualidade. Metodologicamente, a pesquisa utiliza a netnografia para analisar os perfis de Instagram @asnegrasdoziriguidum e do canal do YouTube @GabiOliveira, explorando como esses espaços virtuais se tornam ferramentas de subversão e reinvenção das trajetórias de mulheres negras. Ao refletir sobre os conteúdos e interações nas redes, a dissertação problematiza as fugas do silenciamento e os rastros deixados pelas mulheres negras, evidenciando a importância das redes sociais como instrumentos de resistência e sobrevivência.