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- ItemInsegurança alimentar e qualidade de vida em pessoas idosas atendidas pela Estratégia de Saúde da Família.(Universidade Federal do Oeste da Bahia, 2025) Veronica Rodrigues de Souza; Marlus Henrique Queiroz PereiraResumo : O envelhecimento populacional é um fenômeno global, heterogêneo e com repercussões em várias dimensões da sociedade. Na perspectiva individual, o envelhecimento está relacionado com alterações biológicas, econômicas, sociais, psicológicas e culturais, que impactam na Qualidade de Vida (QV). O objetivo do estudo foi comparar a QV segundo os diferentes níveis de Insegurança Alimentar (IA) em pessoas idosas atendidas pela Estratégia Saúde da Família. Trata-se de um estudo transversal, quantitativo, realizado em um município localizado no Nordeste brasileiro. Para avaliação da IA, foi utilizada a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA). Já na análise da QV, foi aplicado o World Health Organization Quality of Life, versão reduzida (WHOQOL-BREF). Foi realizada a análise estatística descritiva, por meio de frequências e cálculos de medidas de tendência central e dispersão, bem como aplicados os testes de análise de variância (ANOVA) e o teste de Kruskal-Wallis. Nos resultados, foram analisados 301 idosos, sendo a maioria do sexo feminino (60,8%), com idade entre 60 a 69 anos (54,2%). Analisando a comparação de médias de QV, considerando os diferentes níveis de IA, observou-se que as pessoas idosas em situação de SAN apresentaram as maiores médias (68,73 ± 10,96), enquanto que aquelas com as piores pontuações estavam em IA moderada (57,79 ± 11,36) e grave (58,01± 11,97), com diferenças estatisticamente significante. Como conclusão, foi possível observar que existe diferença nas médias dos escores de QV, segundo a condição de IA. Ou seja, a IA pode interferir na QV dessa população, em especial daqueles em situação de IA moderada/grave.
- ItemFatores associados ao consumo de carne na região nordeste do Brasil: dados da PNS 2019(Universidade Federal do Oeste da Bahia, 2025) Bianca Leite Magalhães de Santana; Félix de Jesus NevesResumo : Objetivo: Analisar os fatores associados ao consumo de carne na região Nordeste do Brasil, utilizando dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal, utilizando dados secundários da PNS 2019. Foram selecionados indivíduos residentes no Nordeste com informações completas sobre consumo de carne. O desfecho foi o consumo inadequado de carne, definido como a resposta "não" à pergunta sobre ter consumido carne de boi, porco, frango ou peixe no dia anterior. As associações foram estimadas por meio de regressão de Poisson com variância robusta, resultando em Razões de Prevalência (RP) e Intervalos de Confiança de 95% (IC95%), com significância estatística adotada em p < 0,05. Resultados: A análise envolveu 31.544 participantes. O consumo inadequado apresentou prevalência de 8,7%, sendo associado a fatores sociodemográficos, comportamentais, de saúde e infraestrutura. A baixa escolaridade (RP=1,388; p <0,001), o analfabetismo (RP=1,355; p<0,001), a ausência de coleta de lixo (RP=1,159; p=0,0004), a falta de acesso a locais para atividade física (RP=1,177; p=0,0000), o tabagismo (RP=1,112; p=0,0295), o consumo de embutidos (RP=1,120; p=0,0090), a autopercepção negativa de saúde (RP=1,753; p<0,001) e a presença de problemas alimentares (RP=1,606; p<0,001) aumentaram significativamente a prevalência do desfecho. O sexo feminino mostrou-se fator protetor (RP=0,722; p<0,001), assim como o consumo de álcool (RP=0,708; p=0,0000). Conclusão: O consumo inadequado de carne no Nordeste está intrinsecamente ligado a desigualdades socioeconômicas (baixa escolaridade, analfabetismo, precariedade de infraestrutura) e a um agrupamento de comportamentos não saudáveis (tabagismo, sedentarismo, consumo de embutidos).
- ItemProbiotic and technological potential of enterococcus faecium EM03, isolated from Brazilian semi-hard cheese.(Universidade Federal do Oeste da Bahia, 2025) Emanuela Stefany de Oliveira Maciel; Fabricio Luiz Tulini; Izabela Alves GomesResumo : Os probióticos têm atraído crescente interesse dos consumidores devido aos seus potenciais benefícios para a saúde, propriedades antimicrobianas e suporte ao bem-estar geral. Nesse contexto, é essencial identificar novas cepas bacterianas que apresentem características funcionais significativas e maior estabilidade no processamento de alimentos. Este estudo teve como objetivo identificar e avaliar as propriedades tecnológicas e probióticas de Enterococcus faecium EM03, isolado de queijo semiduro comercializado em Barreiras, Bahia, Brasil. O isolado foi confirmado genotipicamente como E. faecium por meio do sequenciamento do gene 16S rRNA. Avaliações de segurança in vitro revelaram sensibilidade à maioria dos antibióticos testados, com resistência observada apenas à ciprofloxacina e gentamicina. Análises moleculares indicaram a ausência de genes associados à produção de aminas biogênicas e diversos fatores de virulência. Por outro lado, foi confirmada a presença de genes ligados à produção de bacteriocinas, especificamente entB, entP, L50AB, IanM e IanC. Esses achados foram corroborados pelos resultados do ensaio de difusão em ágar, que demonstraram que a cepa E. faecium EM03 inibiu o crescimento de Listeria monocytogenes e Enterococcus faecalis por meio da produção de compostos proteicos. Em relação ao seu potencial probiótico, o isolado apresentou altas taxas de sobrevivência em condições gastrointestinais simuladas, incluindo tolerância a pH 3,5, ao tratamento com pepsina e aos sais biliares. Além disso, a microencapsulação por secagem por aspersão permitiu sua viabilidade por até 60 dias e não afetou a sobrevivência em testes gastrointestinais in vitro. Em suma, os resultados indicam que a cepa E. faecium EM03 possui potencial tecnológico para aplicações nas áreas de alimentos e saúde.
- ItemMudanças do estado nutricional de adolescentes no Estado da Bahia entre 2019 e 2024: um estudo ecológico(Universidade Federal do Oeste da Bahia, 2025) Jamylly de Oliveira Martins; André Bento Chaves SantanaResumo : Objetivo: Analisar registros e tendências temporais de indicadores nutricionais de adolescentes cadastrados no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional na Bahia, entre 2019 e 2024. Método: Estudo ecológico de série temporal com dados públicos de adolescentes de 10 a 19 anos atendidos na Atenção Primária à Saúde. Analisaram-se os indicadores estatura-para-idade e IMC-para-idade segundo critérios da OMS, utilizando regressão linear de Prais-Winsten e cálculo da variação percentual anual no Stata®. Resultados: Foram examinados 2.812.897 registros de estatura-para-idade e 2.812.928 de IMC-para-idade, com predominância do sexo feminino (80,44%). Em 2020, observou-se uma queda nos registros, possivelmente relacionada à pandemia. Constatou-se uma redução do déficit estatural e estabilidade na estatura adequada, sobretudo entre meninas. Verificou-se aumento significativo da magreza, obesidade e obesidade grave. A inadequação nutricional global elevou-se de 29,69% para 33,30%, sendo o sobrepeso a condição mais prevalente. Conclusões: O estudo evidencia uma dupla carga da má nutrição: melhora no crescimento, mas aumento simultâneo da magreza e da obesidade. Reforça-se a necessidade de fortalecer a vigilância nutricional, valorizar dados territoriais e implementar políticas públicas equitativas e sustentáveis para promover hábitos saudáveis, prevenir agravos e garantir o direito humano à alimentação adequada na adolescência.
- ItemDinapenia em idosos da atenção primária à saúde: um estudo transversal em uma cidade do nordeste brasileiro.(Universidade Federal do Oeste da Bahia, 2025) Maria Isabel Cedro Teixeira; Maria Luiza Amorim Sena PereiraResumo : Introdução: A dinapenia é um marcador precoce de declínio funcional em idosos, mas pouco se conhece sobre sua prevalência e fatores associados em usuários da Atenção Primária à Saúde (APS). Objetivo: Investigar a prevalência e os fatores associados à dinapenia em pessoas idosas atendidas na APS. Metodologia: Estudo transversal com idosos (=60 anos) da APS em Barreiras (BA). A amostra (n=264) foi selecionada por amostragem aleatória estratificada, com alocação proporcional. A coleta de dados ocorreu entre 2017 e 2018 por equipe treinada, incluindo informações sociodemográficas, clínicas, antropométricas, nutricionais e de saúde. A variável desfecho foi a dinapenia, aferida com dinamômetro hidráulico e definida por pontos de corte propostos pela Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (BRASPEN). A análise estatística incluiu descrição dos dados, testes bivariados e regressão logística binomial por blocos, com modelos ajustados para o total da amostra e estratificados por sexo. Resultados: A prevalência de dinapenia foi de 34,8%. O sexo feminino foi considerado como fator protetor na amostra geral (OR = 0,369; IC = 95%), assim como a faixa etária 80 anos ou mais (OR = 3,125; IC = 95%). Na análise estratificada por sexo, entre mulheres a dinapenia associou-se à raça/cor e multimorbidade, enquanto entre homens apenas à idade avançada. Conclusão: Os resultados destacam a elevada prevalência de dinapenia e apontam o sexo e a faixa etária como as principais variáveis associadas ao desfecho. Tais achados demonstram a necessidade de estratégias específicas para detecção precoce e manejo da dinapenia na APS, como forma de auxiliar na preservação da funcionalidade da pessoa idosa.