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- ItemImpacto da exposição à queima de biomassa na prevalência da doença pulmonar obstrutiva crônica em populações vulneráveis no Brasil.(Universidade Federal do Oeste da Bahia, 2025) Gustavo de Assis Gomes; Marcello da Silveira PaschoalliniResumo : A exposição à queima de biomassa constitui um importante problema de saúde pública, especialmente em populações rurais e vulneráveis que utilizam materiais orgânicos, como lenha e carvão, como principal fonte de energia. Essa prática libera poluentes atmosféricos tóxicos, como material particulado fino (PM2.5), monóxido de carbono e compostos orgânicos voláteis, que estão diretamente associados ao desenvolvimento e agravamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Este trabalho teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, a relação entre a exposição à queima de biomassa e a prevalência da DPOC, bem como identificar os principais fatores fisiopatológicos, epidemiológicos e socioambientais envolvidos. Foram consultadas as bases PubMed, LILACS, SciELO, Periódicos CAPES e Google Scholar, abrangendo publicações de 2010 a 2025. Os estudos evidenciam que a exposição contínua à fumaça de biomassa aumenta significativamente o risco de DPOC, sobretudo entre mulheres, idosos e populações com baixo nível socioeconômico. Os resultados também apontam a necessidade de estratégias de mitigação, como o uso de combustíveis limpos, melhorias na ventilação domiciliar e fortalecimento das políticas públicas voltadas à saúde respiratória. Conclui-se que a queima de biomassa é um determinante ambiental relevante para a DPOC, sendo imprescindível o desenvolvimento de ações intersetoriais que promovam energia sustentável e reduzam a carga de doenças respiratórias em populações vulneráveis.
- ItemLeishmaniose tegumentar causada por leishmania infantum e leishmania donovani: uma revisão sistemática com metánalise dos casos atípicos(Universidade Federal do Oeste da Bahia, 2025) Guilherme de Araujo Meira; Théo de Araújo SantosResumo : Introdução: Casos de leishmaniose tegumentar causados por agentes etiológicos atípicos, tais como Leishmania (L.) infantum e L. donovani têm sido largamente reportados na literatura. Contudo, não existe um consenso acerca do perfil clínico desses pacientes nem das condutas terapêuticas a serem abordadas. Objetivo: Neste sentido, este estudo teve por objetivo realizar uma revisão da literatura para a caracterização do perfil clínico de pacientes com leishmaniose causada por agentes etiológicos atípicos. Metodologia: Para isso, foi conduzida uma revisão sistemática da literatura a partir de relatos de casos de leishmaniose causada por agentes atípicos e publicados em periódicos indexados no Scielo, Cochrane, LILACS e PUBMED. Foram utilizados os seguintes descritores: ("Leishmaniasis, Cutaneous"[MeSH Terms] ou "Leishmaniasis, Mucocutaneous"[Mesh Terms]) e ("Leishmania infantum"[MeSH Terms] ou "Leishmania donovani"[MeSH Terms]) e ("Skin Diseases, Infectious"[MeSH Terms] ou "Protozoan Infections"[MeSH Terms]). Os artigos coletados foram avaliados quanto à qualidade seguindo o protocolo CARE para estudos de caso, em seguida, foi realizada a estatística descritiva dos dados, assim como comparações utilizando o teste do Qui-quadrado. Resultados: A análise dos resultados demonstrou uma predominância de casos de leishmaniose tegumentar atípica em indivíduos do sexo do sexo masculino com idade de 44,31±21,13 anos. A maioria dos casos foi constituído de lesões dérmicas, principalmente úlceras cutâneas características da leishmaniose cutânea localizada, sobretudo indolores. O antimoniato foi o medicamento mais prescrito com 56/129 (43,41%), seguido de anfotericina B com 51/129 (39,53%). A taxa de falha terapêutica foi considerável 34/134 (25,37%), mas sempre respondendo bem ao segundo tratamento. Conclusão: Apesar de serem descritos com bastante ênfase como casos de leishmaniose tegumentar atípicos por terem como agentes etiológicos L. infantum e L. donovani, um grande número de casos com perfil clínico característico e com boa resolutividade terapêutica têm sido descritos na literatura nos últimos 35 anos. Dessa forma, o presente estudo sugere que seja revista a abrangência das manifestações clínicas tegumentares para os agentes etiológicos estudados.
- ItemUso de psicofármacos e fatores predisponentes em estudantes da Universidade Federal do Oeste da Bahia(Universidade Federal do Oeste da Bahia, 2025) Ríley Rocha Freitas; Pablinny Moreira Galdino de Carvalho; Manoel Ferreira de Magalhães FilhoResumo : Introdução: A banalização da psicofarmacologia para manejo de sinais e sintomas ao longo dos últimos anos tem atingido aspectos alarmantes nas universidades. No Brasil, a realidade tem sido consoante à internacional, pondo em prova a vulnerabilidade desse grupo de indivíduos ao uso de tais substâncias psicotrópicas. Objetivo: Identificar os fatores predisponentes, a prevalência e o perfil de consumo de psicofármacos entre os estudantes da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), testando a associação com fatores sociodemográficos e acadêmicos. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa de campo de caráter transversal e descritivo, aprovada pelo Comitê de Ética, e realizada nos cinco campi da UFOB (Barra, Barreiras, Bom Jesus da Lapa, Luís Eduardo Magalhães e Santa Maria da Vitória). A população elegível abrangeu estudantes de graduação e pós-graduação com matrícula ativa, resultando em uma amostra final de 207 participantes. A coleta de dados ocorreu via questionário autoaplicável em plataforma online (Google Forms®). Para a análise estatística, utilizou-se o software Jamovi® (versão 2.6), aplicando-se os testes Qui-quadrado de Pearson e Exato de Fisher para verificar associações, considerando um nível de significância de 5% (p< 0,05). Resultados: A prevalência do uso de psicofármacos ao longo da vida foi de 53,1% (n=110). Entre as variáveis analisadas, a sexualidade foi a única que apresentou associação estatisticamente significante (p=0,004). A prevalência de uso foi maior entre participantes homossexuais (75,0%) e bissexuais (66,7%), em comparação com os heterossexuais (48,1%). Entre os usuários, a principal motivação para o consumo foi "Problema Pessoal/Familiar" (49,1%), superando a "Demanda Acadêmica" (24,5%). Os antidepressivos foram a classe mais relatada (74,5%), e 56,4% dos usuários indicaram polifarmácia (uso de dois ou mais fármacos). Conclusão: Os achados revelam uma alta prevalência de uso de psicofármacos na amostra, fortemente associada à sexualidade, o que sugere uma relação com o estresse de minoria. O perfil de consumo é motivado principalmente por questões pessoais, e não acadêmicas, e apresenta alta adesão ao acompanhamento profissional.
- ItemRisco de câncer gástrico associado ao uso prolongado de inibidores de bomba de prótons (IBPS) após a erradicação de Helicobacter pylori: uma revisão integrativa investigando o papel modulador da microbiota oral.(Universidade Federal do Oeste da Bahia, 2025) Vinícius da Cruz Pires; Julianna Joanna Carvalho Moraes de Campos BaldinResumo : O Câncer Gástrico (CG) é uma das neoplasias de maior morbimortalidade global, sendo a infecção por Helicobacter pylori seu principal fator de risco. Embora a erradicação bacteriana representar a principal estratégia profilática, um risco residual oncológico persiste, e a utilização crônica de Inibidores da Bomba de Prótons (IBPs) após o tratamento emergiu como um fator de risco ainda controverso. O objetivo desta revisão integrativa foi avaliar a associação entre a exposição prolongada de IBPs e o risco de deselvolvimento de CG em pacientes póserradicação de H. pylori, explorando, adicionalmente, o potencial papel modulador da microbiota oral. Foi realizada uma busca sistemática abrangente (2014-2024) nas bases PubMed/MEDLINE, Scopus, Cochrane Library e BVS, que resultou na inclusão de três estudos de coorte para a síntese primária. Os achados relativos ao desfecho primário apresentaram-se nitidamente conflitantes: dois estudos que utilziaram não usuários como comparador reportaram aumento significativo do risco de CG (HR 2,44 e 5,51, respectivamente). Contudo, um estudo moetodologicamente robusto que utilizou um comparador ativo (Antagonistas H2) não identificou associação estatisticamente significativa (HR 1,30; IC 95% 0,75-2,27), sugerindo um forte viés de confusão por indicação. Embora os estudos de coorte primários não tenham explorado a microbiota, a revisão de literatura desta investigação identificou robustas evidências mecanicistas que associam a disbiose oral, induzida pela hipocloridria prolongada dos IBPs, à progressão de lesões pré-cancerosas. A avaliação metodológica (NOS) e da certeza da evidência (GRADE) classificou o nível de evidência geral como "Baixo" a "Muito Baixo", reflexo doalto risco de viés inerente aos estudos observacionais. Conclui-se que a associação causal permanece inconclusiva, sendo preponderante a condução de estudos prospectivos de alta qualidade, com o uso de comparadores ativos e, fundamentalmente, que incorporem a análise do microbioma para validação dos mecanismos fisiopatológicos propostos.
- ItemTratamentos farmacológicos e não farmacológicos para a síndrome da ardência bucal: uma revisão integrativa da literatura com foco em mecanismos neurofisiológicos.(Universidade Federal do Oeste da Bahia, 2025) Ary Cardoso Peixoto Junior; Julianna Joanna Carvalho Moraes de Campos BaldinResumo : A Síndrome da Ardência Bucal (SAB) é uma condição de dor crônica complexa, caracterizada por dor persistente na mucosa oral sem alterações clínicas visíveis, sendo frequentemente classificada como uma neuropatia de fibras finas. Apesar dos avanços na compreensão de sua base neurofisiológica, o manejo clínico ainda permanece predominantemente empírico e com eficácia variável. O objetivo desta revisão integrativa foi mapear e sintetizar o conhecimento sobre as abordagens terapêuticas farmacológicas e não farmacológicas para a SAB, correlacionando os desfechos clínicos observados com os mecanismos de ação neurofisiológicos propostos. Foram pesquisadas as bases PubMed, Scopus, Web of Science, Cochrane Library e BVS (2014–2024), resultando em oito estudos elegíveis, sendo seis ensaios clínicos randomizados (ECRs). As intervenções farmacológicas de ação central mostraram resultados consistentes, com melhora clínica associada a moduladores serotoninérgicos e noradrenérgicos, como fluoxetina e vortioxetina, e efeito adjuvante da melatonina, por sua ação antioxidante e neuromoduladora. Entre as terapias não farmacológicas, a fotobiomodulação (FBM) destacou-se por reduzir a dor e os biomarcadores inflamatórios salivares. Além disso, a acupuntura demonstrou eficácia clínica, e a estimulação sensorial mastigatória mostrou potencial para modular o sistema nervoso autônomo (SNA), reduzindo catecolaminas plasmáticas. Apenas 37,5% (n=3) dos estudos avaliaram biomarcadores, reforçando a escassez de dados objetivos sobre mecanismos. Apesar de promissores, esses achados apresentam limitada robustez. A análise metodológica (RoB 2, NOS) apontou alto risco de viés em 75% dos ECRs, e a avaliação da certeza da evidência (GRADE) classificou a maioria das intervenções como de baixa ou muito baixa certeza. Em síntese, as intervenções mais promissoras, com destaque para os antidepressivos e a fotobiomodulação, sustentam a hipótese da SAB como uma dor neuropática mantida por mecanismos centrais. Contudo, a baixa certeza da evidência e o alto risco de viés identificados (RoB 2/GRADE) limitam a aplicabilidade clínica desses achados e apontam, imperativamente, a necessidade de estudos futuros com maior rigor metodológico, padronização de critérios diagnósticos (ICOP) e de desfechos (IMMPACT), e validação de biomarcadores para o avanço do tratamento personalizado.